foto-paula-carpi-7Na última quinta-feira dia 28/11/2013, cinco All Blacks (jogadores da seleção de rúgbi da Nova Zelândia), visitaram o Instituto Rugby para Todos na comunidade Paraisópolis localizado na cidade de São Paulo. Esse fato foi algo extraordinário, não foi uma simples visita, mas sim uma aula de rugby, de humildade e de espirito esportivo. Exagero? Para quem não sabe, é a primeira vez dos All Blacks no Brasil, são celebridades internacionais e pessoas cultuadas no mundo do esporte. Para ser um All Black, não basta ter talento e técnica apurada é necessário postura, dentro e principalmente fora das quatro linhas.

O rugby na Nova Zelândia está como o futebol  está para o Brasil, é mais do que o esporte nacional, representa a identidade daquele povo. E quando se fala em rúgbi é impossível não pensar nos All Blacks, é quase um sinônimo, pela tradição na modalidade, pelos grandes jogadores revelados,  pelas vitórias incríveis contra seus rivais e pela qualidade de suas equipes ao longa da história. Portanto, vencer essa seleção é para poucos, missão muito difícil. Eles são lendas, representam o que há de mais virtuoso nesse esporte.

Os atletas que estiveram no projeto foram: Jeremy Thrush; Kieran Read (acabou de ser considerado o jogador do ano pela International Rugby Board); Beauden Barrett; Julian Savea e  Francis Saili.

Acima foi citada a postura como um elemento fundamental para ser um representante dos All Blacks. Conduta ética, respeito com os colegas e com o ambiente, fair-play, desenvolvimento pessoal e intelectual, isso são sinônimos de postura. Todo atleta que chega a seleção de rúgbi da Nova Zelândia se preocupa com esses valores, com esses princípios. Assim, para vestir a camiseta preta tem de ser especial.

Primeiramente foi feito um pequeno cerimonial para a inauguração do centro de convivência do Campo do Palmeirinha, com apoio da AIG e dos All Blacks.

No momento dos treinos, cada categoria contou com a participação de um All Black acompanhando a rotina das atividades das crianças e jovens. Inicialmente houve uma roda de conversa apresentando os jogadores, seguido de perguntas e curiosidades dos alunos com relação a trajetória esportiva dos mesmos. Em seguida, os All Blacks realizaram exercícios, atividades recreativas e deram dicas para melhorar em algumas habilidades. Ainda deu tempo de um jogo de touch entre os neozelandeses e os alunos das categorias mais velhas do projeto. Ao final da visita, nossos alunos pediram que realizassem a tradicional Haka, que foi prontamente atendida. Os ilustres visitantes entregaram presentes, tiraram fotos, atenderam a imprensa, deram autógrafos e conversaram muito com todos nesse evento, até capoeira e passos de hip-hop, Julian Savea arriscou com um de nossos alunos.

Gilmar Almeida, 17 anos, conosco há oito anos, resumiu bem em entrevista a um site da comunidade, esse momento que viveu: “é uma das melhores coisas que me aconteceu desde que comecei no rugby. Os caras são os melhores do mundo, acho que esta é uma oportunidade única de conhecê-los e  jogar com eles. O que a gente aprendeu com eles, colocar em campo, e quem sabe um dia jogar contra eles na seleção brasileira.”

Outro aluno, perguntou ao Jeremy Thrush: “qual foi o jogo mais difícil que ele já havia participado?”. Ele respondeu, “esse último contra a Irlanda, domingo passado, nos superamos”. Uma garota de 9 anos perguntou ao Francis Saili, “porque vocês fazem a Haka?”.  Saili disse: “é algo para  gente se conectar com nós mesmos, para dar energia, é algo tradicional dos antigos guerreiros Maoris que incorporamos”.

Em psicologia do esporte, essa “conexão e energia” da qual ele se refere é chamada de ativação, ou seja, prontidão psicofisiológica ideal para iniciar a competição, até nisso os All Blacks se diferenciam. Já entram preparados e concentrados para qualquer tipo de competição.

“O esporte é um fenômeno sócio-cultural global, vive de modelos e depende também de atletas carismáticos que saibam valorizar sua imagem, que tenham consciência do papel e da importância que podem representar na sociedade, principalmente, ao atingir os jovens. Essa visita poderia não ocorrer, porque afinal, não é todo tipo de atleta que se “aventura” a vir numa comunidade pobre, mesmo depois do estrelato. Eles poderiam ter apenas treinado com a seleção brasileira de rúgbi num centro de treinamento de alto padrão como fizeram no dia anterior e como fazem a grande maioria das grandes estrelas do esporte que excursionam por outros países. Mas, escolheram estar conosco, conhecer um pouco a comunidade em que estamos inseridos e principalmente, reforçar os sonhos de nossos meninos e menina”, diz Rodrigo Falcão, psicólogo do Instituto Rugby Para Todos.

A grandeza desse momento ainda não é mensurável, mas a certeza de que vivemos algo especial estava ao alcance de todos que pudessem observar ao redor, seja nos sorrisos, olhares curiosos e na emoção que não é dita, mas sentida, das crianças, jovens e dos colegas de trabalho que compartilharam esse acontecimento na comunidade pobre  esquecida da zona sul de São Paulo.

Fotos de Paula Carpi

Texto baseado em post escrito por Rodrigo Scialfa Falcão, Psicólogo do Instituto Rugby Para Todos, no site Psicologianoesporte.com.br

O Instituto Rugby Para Todos agradece a AIG pela vinda dos All Blacks e pelas benfeitorias realizadas no centro de convivência do Campo do Palmeirinha, em Paraisóplis. Agradecimentos também ao trabalho voluntário e grande empenho do arquiteto Gabriel Bartholomeu, da Ampliare Arquitetura
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Para saber um pouco mais:
A história dos All Blacks: https://www.youtube.com/watch?v=bst4M7J7X0c&hd=1

http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-sp/v/all-blacks-a-selecao-da-nova-zelandia-de-rugbi-vem-ao-brasil-ensinar-brasileiros/2986986/
http://www.portaldorugby.com.br/noticia/27-fora-de-campo/8343-all-blacks-visitam-rugby-para-todos
http://jornal.paraisopolis.org/selecao-neozelandesa-de-rugbi-all-blacks-visita-paraisopolis/
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