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Desde o inicio do projeto, em 2004, o principal objetivo foi utilizar a modalidade Rugby como uma ferramenta Educacional, complementar à Escola. “Quando pegamos uma caneta na mão, rapidamente descubrimos sua função. Ainda assim, este objeto pode ser utilizado para machucar alguém, por exemplo. Já o esporte é uma ferramenta que pode ter vários usos” (Luis Dantas, USP, 2007, durante o curso de capacitação Rugby Para Todos).  Ou seja, o esporte pode ter vários usos, para cumprir diferentes objetivos. Podemos citar rapidamente O esporte de Rendimento, o esporte Educacional, o esporte como ferramenta política (algo que talvez testemunhemos em 2010, ano de Copa do Mundo e Eleições).

Entendemos por esporte educacional uma pratica constante e planejada, que auxilia os indivíduos em formação, no caso crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, no desenvolvimento de suas competências individuais e sociais, através da prática de esportes e seus princípios gerais de Respeito, Lealdade, Disciplina, amizade, entre outros.

Sabemos que o Esporte, assim como a Cultura, são ótimas ferramentas para isso. No entanto, entendemos que, para que o Esporte possa contribuir com a formação educacional de crianças e adolescentes, precisa ser empregado de forma planejada, e executada por profissionais qualificados, com perfis individuais adequados e alinhados num mesmo objetivo.

Por outro lado, talentos do esporte têm surgido todos os dias, durante as aulas do projeto e durante os jogos entre a mulecada – a famosa “pelada” – que também é jogada na modalidade Rugby em Paraísopolis, São Paulo. E com a febre das Lan Houses dentro da comunidade, os milhares de vídeos de Rugby do Youtube viraram fonte de inspiração para estes novos jogadores. Assim como o jogo de Rugby do videogame PlayStation. Gabriel, aluno de 13 anos, com 4 anos de Rugby, diz: “Eu tô tentanto correr igual o camisa 11 da Nova Zelândia professor”, imitando o gesto ao se referir ao Rocococo virtual, muito parecido com o real, artilheiro dos All Blacks.

Se o Gabriel e os outros 400 alunos que serão atendidos em Paraisópolis em 2010 se tornarão grandes jogadores de Rugby ou não, amadores ou profissionais, agora é menos importante. O importante é garantir a eles uma formação holística, permitindo e estimulando o desenvolvimento de competências diversas, que os forneçam ferramentas para que possam visualizar as oportunidades em suas vidas, ter discernimento para escolhê-las da melhor forma possível, trilhar caminhos de sucesso e encarar desafios e situações adversas – que com certeza irão aparecer – com mais recursos e competências, seja dentro ou fora de campo.

O Rugby pode ser uma ótima ferramenta educativa e de formação, disso não temos dúvida. Mas necessita ser empregada de forma planejada e aliada a outros conhecimentos, através de um trabalho multidisciplinar, que traga visões diferentes para uma mesma ferramenta, aperfeiçoando seu uso e sua eficiência.

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